quarta-feira, 13 de março de 2013

Como se comportar num velório

Por Celito De Bona
Como se comportar num velório é uma dúvida muito comum entre muitos, pois existem algumas pessoas que não gostam de participar de tais eventos e não se sentem bem ao enfrentar o tema, por uma ausência de preparo ou de reflexão sobre nossa derradeira passagem.
Nestas ocasiões, tudo irá depender de como são as tradições do falecido e dos seus familiares. Se as tradições e formalidades não forem de seu conhecimento, de forma discreta, pergunte a algum dos presentes como se comportar no ambiente.
Mas no Brasil, onde preponderam as tradições cristãs, devemos adotar alguns comportamentos que nem sempre são levados em consideração no momento, pois não discutimos isto com muita frequência.
Em relação aos trajes, devemos nos vestir apropriadamente, de forma discreta respeitosa, sem muitos decotes, transparências e saias curtas, se mulheres, ou bermudas, se homens. Lembre-se de que você não está indo a uma festividade e em hipótese alguma deverá ostentar joias ou brilhos. A modéstia e a simplicidade devem ser a regra. Não há exigência de cores pretas ou escuras e nada impede que você vá de branco ou cores claras, desde que de forma sempre respeitosa e discreta.
Outro fator que merece a atenção é a quantidade de tempo. Não é necessário ficar mais do que trinta minutos em tais eventos. De quinze a vinte minutos é a quantidade ideal, eis que o suficiente para chegar ao velório, de modo respeitoso e sereno, cumprimentar os parentes do falecido, dando-lhes os pêsames e fazer uma oração sincera em homenagem ao desencarnado.
Neste tempo também é possível assinar o caderno de presença, quando disponível, e se informar do horário do enterro, se assim você desejar participar. Uma vez presente no velório, não é necessária sua participação no enterro.
E o que dizer aos familiares e parentes? Um simples “meus sentimentos” é o suficiente para confortá-los. Nada de indagar os motivos do óbito ou “puxar assunto” com os familiares e parentes. Deve-se apenas conversar com eles se assim o derem abertura, tomando a iniciativa para tanto.
Conversas e diálogos devem ser evitados no recinto. O burburinho entre os presentes gera embaraço àqueles que ali estão com a finalidade de oração. Tais conversações, se inevitáveis, devem ocorrer fora do recinto.
Lembre-se que a quantidade de horas em excesso no ambiente tende a atrapalhar. Fique pouco tempo, mas com um comportamento nobre e de maior qualidade.
Muito comum é o encontro de parentes e amigos que há muito não se encontravam. Nestes momentos é normal que risadas ocorram e assuntos diversos surjam. Por isso, dirigir-se para um local mais distante é o mais adequado.
A oração sincera em homenagem ao irmão desencarnado é a finalidade de ali você se encontrar, juntamente com o apoio aos familiares. Lembre-se que as preces e orações podem ser feitas em qualquer local e a qualquer hora, não se exigindo a presença física. Elas serão sentidas pelo irmão desencarnado onde quer que ele esteja.
Também não se recomenda falar sobre o falecido contando sobre fatos e eventos menos dignificantes com qualquer pessoa. Se não for possível um elogio às qualidades morais do desencarnado, abstenha-se de qualquer comentário.
Em hipótese alguma faça uso de ingestão de bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de cigarros ou entorpecentes, pois a presença de espíritos menos nobres atrapalhará o momento. Se for preciso fazer uso deles, que se faça longe do velório.
Se o objetivo maior de sua presença for mais o apoio aos familiares, que assim se proceda, evitando qualquer constrangimento, portanto, a eles por sua parte, seja com suas vestes, seu comportamento ou linguajar.
Uma música calma e serena tranquiliza o ambiente e favorece a ausência de conversas, pois obriga a quer deseja conversar, sair do ambiente. Mas a escolha das canções não se deve ocorrer ao acaso, evitando-se canções com temas menos nobres e com ritmos agitados.
Se você for o parente ou familiar, não se faz necessário velar madrugada adentro. Cerrando as portas do ambiente, se possível, entre vinte e três horas e sete da manhã, retornando, neste horário, o cerimonial não se trata de deselegância ou ausência de afeto para com o desencarnado. Ao contrário. Para que ocorra um completo desligamento do corpo material, o espírito necessita ficar isolado, para que os amigos benfeitores espirituais atuem, se é que naquele momento isto já não ocorreu. Lembre-se que a vida continua. É normal querermos ficar ao lado do ente próximo o maior tempo possível, mas entenda que ele também precisa deste momento para seu perfeito desligamento e passagem à dimensão maior.
Não somo indiferentes ao sofrimento que o momento proporciona, pois mesmo aos espíritas ocorre essa angústia na hora de ver um ente querido partir, da mesma forma que nos despedimos de alguém numa rodoviária ou aeroporto, por ocasião de uma longa viagem e ainda que tenhamos a certeza de um reencontro posterior, apesar da possibilidade de comunicação via telefone ou internet.
É por isto que o comportamento adequado neste momento pode nos trazer alívio ao momento difícil e todos devem se empenhar no auxílio fraterno, pois brevemente seremos nós que estaremos no tempo da passagem.
Que saibamos, Senhor, nos comportar respeitosamente em todos os momentos dignificando o Teu nome.
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Indicação de leitura: Obreiros da vida eterna. Francisco Candido Xavier (pelo espírito André Luiz). FEB.
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