sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A MARATONA DA VIDA


Celito De Bona

 
A vida pode ser comparada a uma maratona. Quando fazemos algo podemos nos ater às comparações com a vida, pois tudo é significado ou significante; há uma filosofia arraigada ali bastando ser explorada; lições podem ser retiradas e compartilhadas.

Quando se fala que a vida é como uma maratona não significa que existem vencedores ou vencidos, ou que devemos correr um contra o outro numa grande competição de todos contra todos. Devemos entendê-la como algo nobre a ser compartilhado e cooperado entre e por todos.

A maratona da vida significa que ela tem um início. Iniciamos nossa vida e vamos desenvolvendo-a no nosso próprio ritmo. Alguns correm mais rápido, outros mais devagar, mas cada um na sua cadência e com grau de dificuldade distinto. Outros apenas caminham (e com velocidades diferentes). Mas todos estão em movimento, pois a vida é assim: dinâmica. Não podemos parar o ritmo; devemos continuar sempre em frente.

O que temos é de chegar a determinado ponto, que não sabemos acerto onde é. Sabemos apenas que ele existe. Alguns chegarão mais cedo, outros mais tarde, mas o que se percebe é que todos estão cruzando o ponto de chegada em momentos distintos, pois nem todos largam ao mesmo tempo, eis que uns largam antes, outros depois. Creio que Deus, em sua infinita sabedoria, assim desejou para que a pista não fique vazia e que ela fique sempre preenchida por corredores.

O interessante é que não corremos sós. Ao longo do caminho vamos conhecendo outros corredores que irão compartilhar conosco suas experiências, seus sentimentos, seus valores e nos ensinarão como correr melhor, seja com exemplos (e temos que ficar atentos a observá-los), seja com conselhos. E depois de certo tempo, seguirão seu ritmo, se distanciando de nós, continuando suas corridas com o objetivo de encerrar seus percursos. E quando encerram, torcem por nós, para que também terminemos nosso percurso de uma maneira menos sofrível ou mais agradável possível.

Estas são pessoas das quais sentimos falta quando partem ou terminam seus ciclos, mas sabemos que estão ali, do outro lado, fora da pista, torcendo por nós, e isto nos consola, pois logo as reencontraremos. Muitas vezes ficam ali nos dando palavras de motivação e bom ânimo, para não desistirmos e alcançarmos nosso intento de um bom percurso. E quando seguem sua corrida, surgem novos companheiros de jornada que até podem ser menos experientes no percurso do que nós, e que podemos (e devemos) dar a eles orientações para que aperfeiçoem sua performance, como dicas de respiração, de pisada, de postura, corrigindo seus erros, assim como recebemos a orientação daqueles que passaram por nós. Mas estas são apenas orientações. Não podemos correr por eles, por mais queridos que sejam. Eles deverão correr por si mesmos. Cada um faz seu próprio percurso.

Da mesma forma como existem estes companheiros de jornada que nos são agradáveis, existem aqueles dos quais não temos tanta afinidade ou simpatia, que simplesmente devemos dar a passagem para seguirem seu caminho ou pedir licença, com ternura, e alertar que, se precisarem de nós, estaremos ali adiante, prontos para auxiliá-los. E se não quiserem nossa ajuda, que se permitam errar, pois o erro ao gerar maior sofrimento também é uma forma de aprendizagem.

E nas corridas percebemos que existem subidas e descidas. Momentos de maior dificuldade e de maior facilidade. Momentos que exigirão mais ou menos esforço. A vida nos exige apenas coragem para enfrentar tais subidas, pois depois de uma subida tem uma descida onde o trecho é mais leve. São as exigências das subidas que nos fortalecem e por isto não devemos parar ou reclamar, porque não conseguiremos ser fortes sem sacrifício, simplesmente compreender que é para nosso bem, pois tudo, como dito, tem um significado.

Diante disso, devemos dosar nosso ritmo quando percebemos que estamos em tais situações. A isto se chama sabedoria e a experiência nos revela quando devemos apertar ou diminuir a passada e quanto mais as vivenciarmos com maior facilidade conseguiremos cadenciar o ritmo.

E depois percebemos, em algum instante, que não nos interessa cruzar a linha de chegada; faremos isto quando deva ser a hora certa. Que mais nos importa é a beleza da paisagem e o prazer da companhia dos corredores que dividiram conosco alguns preciosos momentos. Pois isto deixa a corrida muito mais agradável.

Para facilitar ainda mais, nas ocasiões de dificuldade, de maior desgaste, podemos ainda pedir ajuda, que sempre haverá nos postos de hidratação. Basta pedirmos que receberemos a ajuda no tempo certo, não quando quisermos. E não existe uma forma solene de pedido. Basta pedirmos de coração e com sinceridade que seremos atendidos. A isto chamamos oração, que nos coloca em contato direto com a organização maior da prova.

E quando finalmente chegamos à linha final, encontramos nossos amigos que chegaram antes de nós e esperamos aqueles valiosos corredores que ficaram para trás, e torcemos para que façam um bom percurso e uma corrida sem sofrimento, para que alcancem seus objetivos, que certamente são diferentes dos nossos, pois cada um tem a sua corrida e em cada corrida aprendemos algo para melhorar nossa performance.

Finalmente, podemos ir para casa descansar, sabendo que no outro dia, teremos uma nova corrida na pista da vida, que está repleta de corredores. Na corrida de amanhã, temos a certeza de que encontraremos nossos conhecidos de corridas anteriores, os antipáticos, dos quais poderemos criar novas amizades e aqueles queridos, em que poderemos, novamente, disfrutar sua doce e agradável companhia por algum tempo e aprender mais e conhecer novos companheiros de jornada, pois a vida é assim: uma doce e agradável corrida em que temos nosso próprio objetivo a conquistar, que é superar a nós mesmos, nossos vícios e defeitos, não aos outros ou os vícios dos outros.

Uma boa corrida a todos.
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