sábado, 28 de setembro de 2013

Conselhos de sábios

Os mais velhos advertem: aproveite mais a vida, não leve tudo tão a sério e busque mais o prazer. Siga esses preciosos conselhos

Reportagem: Redação VIDA SIMPLES - Edição: Lígia Scalise

Edição 0037

Todos os direitos autorais pertencem à revista VIDA SIMPLES
 
  
Texto: Quem já passou dos 70 sabe como a vida é preciosa e como deve ser vivida. Aprenda com esses sábios conselhos

Foto: Reprodução revista VIDA SIMPLES

Em alguns países da África, costuma-se dizer que cada ancião que morre é uma biblioteca que se perde. É bem possível mesmo. Os mais velhos são uma fonte de experiência e saber acumulado ao longo dos anos.
Com mais tempo de estrada, os idosos realmente têm propriedade para falar. Já tropeçaram, levantaram e quase sempre descobriram a duras penas o que deveriam ou não ter feito. Mais do que rápidas lições, os mais velhos têm muito a nos ensinar sobre a vida e a forma como nos relacionamos com ela.
O filósofo e educador chinês Confúcio (551-479 a.C.), cujas ideias foram importantes a ponto de moldar a sociedade oriental, costumava dizer que buscava na sabedoria dos antigos sua fonte de inspiração. "É por retomar o antigo que se aprende o novo. E assim nos tornamos mestres", dizia. Pensando nisso, pinçamos alguns conselhos preciosos de quem já passou dos 70. Para guardar e ir usando devagar, durante os muitos anos que você ainda tem pela frente.
 
Deixe a vida te levar
Autor de diversos livros educacionais, entre eles alguns especialmente sobre a velhice, como "As Cores do Crepúsculo: a Estética do Envelhecer", o escritor Rubem Alves, diz que só está onde está porque tudo que planejou deu errado.
Na vida, ensina ele, não existe um caminho definido. Navega-se como um veleiro, ao sabor do vento, dando bordos para se chegar de um ponto ao outro. E nem sempre se chega ao porto programado. Aceitar essas imprevisões é uma lição para encarar o futuro. Para o escritor, deixar-se levar é a melhor maneira de encontrarmos a nós mesmos. "A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente".
 
Desapegue
A gente batalha a vida toda, peleja para comprar as coisas, deixa um monte de prazeres de lado e faz de tudo para construir uma carreira e ter um lugar ao sol lá na frente, no futuro. Mas assim é a vida, não é mesmo? Vale a pena o sacrifício? Nem tanto.
Ser despojada é um dos segredos da felicidade para a premiada atriz de teatro Cleyde Yaconis. "Não uso jóias, não ligo para grife, não uso nada. Minhas roupas têm 20, 30 anos. Meu carro é baratinho, não entendo por que comprar carro que faz 200 km/h para andar a 10. Tendo minha comidinha, minha cachorrada bem tratada e esta casa, não preciso de mais nada", diz.
"A vida e a saúde com certeza são essenciais. Os relacionamentos, a família, os filhos, netos, estes não dá para nos tirar. Assim como a memória dos bons tempos, a saudade da infância. De resto, pode ter certeza que nada se leva", diz a dona-de-casa paulistana conhecida como Dona Vêlia, filha de imigrantes italianos, cuja infância remete ao tempo em que as margens do rio Tamanduateí ainda permitiam animadas brincadeiras. Ouvir suas histórias nos faz viajar no tempo.
Para Dona Vêlia, a grande sabedoria da vida é pensar bem antes de agir ou falar. "Algumas coisas que a gente fez ou falou não dá para voltar mais atrás. Quantas vezes eu tive vontade de explodir e me contive. Acho que o certo é falar sempre o que se pensa, não guardar nada dentro da gente. Mas tudo tem um jeito certo de falar, para não machucar ninguém. Por outro lado, devemos relativizar quando algo sai diferente do que a gente espera. Afinal de contas, não vale a pena esquentar tanto a cabeça", diz ela, para quem a única coisa irreversível que existe é a morte.
 
Pense no outro
Dedicar a vida a fazer o bem, sem olhar a quem, é o lema da professora de ioga Hermínia Morais. Segundo ela, "de nada adianta a sabedoria se não for utilizada para o bem comum da humanidade". Para seu marido, o também mestre de ioga Xanti, o caminho de pensar e voltar suas ações para o próximo é o melhor jeito de evoluir.
 
Busque o prazer
Ter uma atividade prazerosa na vida não só nos ocupa e nos satisfaz como nos estimula a continuar a viver. E cada um encontra estímulo ao seu modo. Para José Barbosa, jogador de futebol dos veteranos do clube Pinheiros, a felicidade está em bater uma bola. "Eu não vivo no passado. Tenho lembranças, como sempre as tive, mas vivo o dia de hoje. Ainda bato minha bolinha e marco meus golzinhos", diz, orgulhoso.
Mas não é preciso esperar a idade chegar para ter prazer no que fazemos, muito menos para buscar tudo o que os mais velhos estão nos dizendo aqui. Afinal, nossa história é construída por pequenas estrofes compostas passo a passo, durante toda uma vida. "Uma coisa a dizer aos moços: vivam sua mocidade de tal maneira que fiquem sábios quando ficarem velhos, para que os moços possam amá-los", aconselha Rubem Alves.

Para saber mais

Filme
O Fim e o Princípio, documentário de Eduardo Coutinho, Brasil, 2005.
 
Livro
As Cores do Crepúsculo: a Estética do Envelhecer, Rubem Alves, Papirus.
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