domingo, 27 de abril de 2014

DESENSINANDO O AMOR AOS LIVROS

“Quer ensinar um jovem a odiar literatura? Dê-lhe, como dever, fazer fichamentos de obras clássicas. A tarefa de fichar o livro desvia o aluno do único objetivo da leitura que é o prazer. Eu estava em processo de mudança. Numa sala, uma mudança de livros. Um dos carregadores olhou assombrado para os livros. Era certo que nunca havia visto tantos. E comentou: ‘Como deve ser difícil decorar todos esses livros...’. Aquele carregador dizia em linguagem direta o que está dito na tarefa de fichar: ler é uma tarefa penosa. Em vez de fichamento, peça que o aluno fale sobre ideias dele, aluno, que aquele livro o fez pensar. Para que fazer um resumo do livro se o livro inteiro já está escrito? Pavlov, cientista russo, mostrou que é possível fazer um cão salivar pelo simples toque de uma campainha. Sua lição se aplica à pedagogia. Os fichamentos, repetidos várias vezes, criam no aluno o reflexo condicionado de repulsão pelo livro.” (ALVES, Rubem. Ostra feliz não faz pérola. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2008, p. 115)

 
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