quarta-feira, 2 de abril de 2014

Opinião sobre o princípio da liberdade de imprensa neste país - frise-se: OPINIÃO!!!

Por Celito De Bona
 
Tenho a obrigação de retificar um comentário que fiz no face de Luiz Ferreira e que já o excluí (o comentário). De fato, o comentário ficou truncado e incompreendido. O assunto era a (suposta) demissão dos jornalistas Ogier Buchi e Paulo Eduardo Martins, da Rede Massa de Televisão, afiliada paranaense do SBT, conforme propalado nas redes sociais (depois se verificou que era apenas mais uma mentira que se propalam por estes meios).
Ambos possuem um nítido pensamento ideológico de direita e nunca negaram. Embora eu não compartilhe deste pensamento, defendo o direito deles em expressarem suas opiniões. Aliás, é isso o que faziam, comentando principalmente fatos e situações políticas. Particularmente eu penso que o jornalismo não deveria dar opinião. Deveria tão somente trazer informações e apresentar as versões de que quem praticou o ato com sua respectiva justificativa e a opinião de algum estudioso sobre o fato, contradizendo as razões. Isto pelo fato de que jornalista (assim como qualquer profissão), em minha opinião, não tem como dominar todas as ciências, como a Filosofia, a Sociologia, o Direito, a Economia, a Psicologia e tantas outras ciências humanas, biológicas, sociais e até mesmo exatas, sob pena de cometer inúmeros equívocos (e talvez mesmo como esta opinião).
Contudo, considerando que estamos num país em que a população possui um tremendo déficit intelectual, a ponto de se ter revelado na pesquisa da semana passada que 65% dos entrevistados acredita que a culpa dos estupros é da vítima, a opinião jornalística acaba sendo necessária. Oxalá não fosse e pudéssemos todos emitir nosso juízo de valor sobre o fato apresentado.
Apesar disto, embora como professor de Direito, advogado e humanista (assim me considero) eu (com unhas e dentes) defenda o Estado Democrático de Direito, é imperioso admitir que a liberdade de imprensa em nosso país é uma falácia.
De início, o jornalista não tem a liberdade que deveria ter em emitir sua opinião ou mesmo em divulgar todos os fatos, pois muitas vezes o órgão de imprensa para quem trabalha não permite. De um lado é bom pois evita excessos. Por outro é maléfico, pois tolhe sua liberdade de opinar, de mostrar a verdade ou simplesmente de revelar o outro lado da questão. É o que vemos todos os dias (ou não vemos).
Esta não permissão ocorre porque os interesses do órgão de imprensa, que deveria estar a serviço da sociedade, para continuar atuando necessita de patrocínio, seja público ou privado. E é este patrocínio, por óbvio, que paga o salário dos jornalistas daquele órgão.
É bem verdade que no âmbito nacional esta liberdade é maior. Raquel Scherazade (talvez seja assim sua escrita) é um exemplo. Apesar de crítica do governo Dilma, continua a frente do jornalismo do SBT a nível nacional, embora houvesse muita pressão pelo seu afastamento.
Os dois comentaristas políticos do SBT não tiveram o mesmo respaldo. A nível estadual são mais sensíveis. Muito maior é a nível local. Em Toledo, um deputado federal paga mensalmente a quantia de R$ 1.500,00 a um órgão de imprensa específico, sem falar de emissoras de rádio e jornais da região. E tudo isto com verbas de apoio à atividade parlamentar, ou seja, com o nosso dinheiro.
 
Tenho a certeza, entretanto, de que os jornalistas de tais órgãos locais gostariam muito de divulgar os fatos (que não são poucos) contrários aos interesses desse político e de seu grupo. Mas não possuem esta liberdade. Mas do grupo opositor, é claro que sim. Nenhum órgão de imprensa noticia algo contrário ao interesse de seu patrocinador.
Oxalá algum dia tenhamos uma imprensa plenamente livre e este direito fundamental não esteja à mercê dos interesses do mercado ou do Estado.
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