segunda-feira, 26 de maio de 2014

A verdade (inconveniente) sobre o Fracking

A região Oeste do Paraná Está na iminência de receber uma usina de exploração de gás de xisto utilizando o fracking. Mas você sabe o que é isto? A seguir apresentamos uma série de vídeos para te auxiliar a compreender melhor o que é isto e porque somos contra. Os vídeos estão em inglês e devem ser ativados a legenda com tradução para o português.






Não se contente com estes vídeos. Existem muitos outros. Procure a versão de quem defende esta exploração e se pergunte se no Brasil daria certo, considerando que nos EUA, África do Sul e Austrália foi catastrófico.

domingo, 25 de maio de 2014

Sustine et abstine

Temos a grata satisfação de informar que mais um texto de nossa autoria foi recentemente publicado na revista magazine Conhecimento Prático Filosofia, Ano 7 - Edição 48 -  abril/maio 2014, da Editora Escala, cuja capa está abaixo. O texto encontra-se disponibilizado a seguir, embora a revista pode ser adquirida em todas as livrarias e revistarias do país, sob o preço módico de R$ 9,80.

 
 


Sustine et abstine
 
No início de minha (curta) carreira docente, uma educanda me procurou relatando a dificuldade que encontrava em acompanhar as aulas de Direito. Seu histórico escolar não era dos melhores e sofria muito com a língua portuguesa. Infelizmente ela desistiu do curso e voltou a ser diarista.
Ante uma desistência de um aluno do curso ou de suas aulas, como professor sempre nos perguntamos (ao menos deveríamos) se nos equivocamos ou deveríamos ter agido de outra maneira.
Buscado as lições dos grandes mestres da filosofia nos consolamos ou aumentamos o peso de nossa consciência. Neste caso, encontramos um comentário sobre Immanuel Kant:
“’Eu não ensino para os gênios porque eles, por natureza, seguem o seu próprio caminho; não ensino para os estúpidos, por que não vale a pena; ensino, sim, para aqueles que são medianos e querem ser instruídos para a sua futura ocupação profissional’ (...).” (apud BUHR, 1989, p.30)
Sim, o peso da consciência aumentou porque a aluna me procurou pedindo ajuda, mencionando sua dificuldade na aprendizagem. Ela queria ser instruída. Mas ainda não estava eu convicto de que havia feito algo totalmente errado. Buscando em Platão, no mito da caverna, percebi que apesar de seu pedido de ajuda a aluna ainda se encontrava na fase de recém saída da caverna (utilizando tal alegoria) e sucumbira à claridade da luz, retornando ao local de origem, não se dando a oportunidade de perseverar no novo mundo e na nova fase, tão pouco se cogitando em obrigá-lo a permanecer sob a claridade, padecendo pela transformação que esta ocasionaria em seus olhos (PLATÃO, s.a., p. 319).
Ora, uma transformação que somente a Educação pode oferecer não ocorre da noite para o dia e nem se dá de uma forma sem sacrifício pessoal, sem escolhas e sem perseverança. Um professor deve compreender seu limite de atuação e deixar seus educandos escolherem por si próprios os destinos de suas vidas, abrindo a porta para retornarem, se assim quiserem. Não podemos tão pouco olvidar as sábias palavras de Immanuel Kant:
“Pouco se pode esperar daquele que adia sempre o cumprimento dos seus propósitos. A assim chamada conversão futura é desse teor. De fato, um homem que viveu sempre no vício e queira converter-se num instante não pode consegui-lo; pois não pode acontecer o milagre de que, num piscar de olhos, ele possa se tornar o que o outro é, o qual viveu honestamente e pensou a vida inteira. Por isso, nada podemos esperar das peregrinações, das mortificações e dos jejuns; pois que não se vê como peregrinações e os rituais possa transformar um homem vicioso num homem honesto de uma hora para outra.” (Kant, 2006, p. 88)
E quanto ao título deste texto, trata-se de uma expressão latina cujo significado é “sofre e abstém-te”. Refere-se a um princípio de espiritualidade, que consiste em suportar os incômodos da vida e abster-se de tudo que não seja absolutamente necessário. Embora algumas escolas de Educação defendam o contrário, em que a ludicidade tem muito a contribuir na formação de nossos jovens, ainda não podemos escapar à formação tradicional que depende, e muito, de dedicação e perseverança em nosso desenvolvimento profissional e pessoal.
 
Referências

BUHR, Manfred. Immanuel Kant: Introdução à vida e à obra. Lisboa: Caminho, 1989.

KANT, Immanuel. Sobre a Pedagogia. Tradução de Francisco Cock Fontanella. Piracicaba: UNIMEP, 2006.

PLATÃO. A República. Trad.: Maria Helena da Rocha Pereira. 7ª Ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, s.a.