quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Opinião sobre a greve dos professores da UNIOESTE (e demais universidades estaduais)

Sobre a possibilidade de greve do funcionalismo do Estado do Paraná, considerando o conjunto de medidas de austeridade apresentadas pelo governo estadual, manifesto-me no seguinte:

1. Impossível criticar o governo do Estado do PR sem antes olharmos para o que viemos fazendo em nossa instituição, no caso, a UNIOESTE: super salários; cargos em comissão; horas em sala díspares (professores com muitas horas enquanto outros com poucas); TIDE's sendo pagos para professores com outras atividades incompatíveis; projetos de pesquisa apenas no papel, sem a vinculação de alunos; funcionários e docentes não zelando pelo patrimônio público, burlando horas trabalhadas, utilizando material didático desnecessariamente, saindo de sala sem desligar a luz e fechar as janelas; "amiguismos" e "coleguismos", etc.

2. Somente depois de corrigirmos nossa postura ética é que poderemos criticar o governo em que não apoiei nas eleições (aliás, fiz campanha contra!). Nosso comportamento deve ser irretocável. Infelizmente, uma minoria de docentes e funcionários públicos vem manchando nossa imagem. Professores que não aceitam e não querem capacitação didática, não aceitam fazer cursos de atualização profissional, como a utilização do sistema "academus" e nem utilizam a plataforma moodle, para beneficiar os alunos, querendo continuar no "tempo do epa" não tem moral para exigir nada.

3. Quando pararmos de misturar política universitária com política partidária, ou mesmo utilizar a universidade como instrumento partidário, elegendo grupos vinculados a partidos políticos, teremos credibilidade para nos posicionarmos.

4. Creio que o governo nos deu a oportunidade de fazermos estas mudanças. Não as fizemos. Que elas venham pela dor e sofrimento. Mas que venham. Que o modelo de gestão universitária não seja da USP. Nem o modelo americano. Mas que criamos um modelo baseado na ética. Que pensamos e discutamos mais a filosofia dos valores que esposamos. Que a virtude cívica e moral não sejam temas de utopia ou motivo de chacota, mas uma vivência plena em nossas vidas pessoal e profissional. Somente assim salvaremos o ensino público e toda a nossa sociedade.

5. Contudo, apesar deste comportamento de parte do funcionalismo público, não creio que seja motivo para suprimir tantos direitos, especialmente na reforma da previdência e na supressão dos quinquênios. Apesar de muitos professores e servidores públicos não representarem com dignidade o que se espera deles, uma grande maioria ainda é dedicada, competente e cumpre com o seu dever. Não devem estes ser punidos e colocados no mesmo balaio de gato com os primeiros. Não devem todos ser penalizados com a restrição de direitos.

6. Por que não se fazer uma auditoria nos PIAD's dos professores e nos projetos de pesquisa e extensão para se verificar os furos existentes? Os bons servidores públicos não temerão tal atitude. Em vez de restrição de direitos como o quinquênio, por que não o congelamento do mesmo por um período suficiente até as contas do Estado se normalizarem? E por que não a restrição de direitos de membros do Poder Executivo e do Legislativo, como exemplo? Por isso, não havendo outra possibilidade, somos pelo indicativo de greve e pela paralização das atividades.
Tudo isto, EM DEFESA DE UMA UNIOESTE E UM ENSINO PÚBLICO DECENTE, COERENTE, ÍNTEGRO E ÉTICO.
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