quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Vândalos são os professores ou os deputados estaduais do Paraná?

Com a ocupação da Assembleia Estadual do Paraná, neste dia 10 de fevereiro de 2015, data que já entra para a história de lutas sociais paranaenses, pelos professores e demais servidores públicos em greve, foi comum encontrar na mídia críticas à postura, principalmente com o adjetivo de “vândalos” e que esta não é uma lição a ser ensinada pelos mencionados profissionais da Educação, que tem, também a função de repassar valores. Tais críticas procedem? Não, e explicaremos.

A ocupação da Assembleia Legislativa ocorreu somente porque, esgotadas todas as tentativas de diálogo, após todos os argumentos muito bem expostos pela oposição, faltou o bom senso daqueles que deveriam primar pelo diálogo e pelo debate de questões cruciais.

As propostas apresentadas pelo governo estadual não podem ser votadas sem um amplo debate com aqueles que diretamente mais sofrerão as consequências e sem sopesar profundamente as demais consequências sociais a curto e longo prazo. Isto não é democrático. Aliás, é um golpe à democracia. A utilização do expediente da Comissão Geral, para a aprovação das medidas governamentais em sua ânsia arrecadatória, visando o aumento de alíquotas de tributos, alteração da previdência dos servidores e supressão de direitos do funcionalismo público, afronta todo e qualquer princípio democrático. Não se apresenta tais questões juntas, num único projeto de lei.

Se não houvesse a invasão, o “tratoraço” governamental teria continuidade e não haveria como se fazer um amplo debate. Não havia como não acontecer. Democracia pressupõe debate e discussões, levantando-se e ponderando-se argumentos e contra-argumentos. Sua ausência é indicativo de autoritarismo e arbitrariedade.

Não houve tempo razoável e prudente para aqueles deputados ponderarem e consultarem suas bases eleitorais e decidirem com serenidade todos os argumentos.

Não, os professores e demais servidores não são vândalos ou mesmo baderneiros. São os defensores da democracia no Estado do Paraná, papel que deveria ser daqueles deputados estaduais que hoje criticam tal posicionamento e não honram com a nobre atividade para a qual foram eleitos.

Os ocupantes da Assembleia Legislativa do Paraná são, sim, os professores, que nos ensinam com este ato como se preserva a Democracia, princípio este avacalhado pelos deputados que queriam deliberar em Comissão Geral. Isto nos dá a certeza de que quando, em momentos de crise como esta, podemos confiar com as pessoas certas, com as pessoas que devem nos indicar o caminho a seguir, para edificarmos nossa personalidade e termos como guias: os professores. A eles a nossa gratidão, até por mais esta lição e que os nossos deputados aprendam com eles, pois se a forma de democracia que se quer defender é a dos deputados asseclas de Beto Richa, esta não serve para o povo brasileiro, pois beira a safadeza.  

Infelizmente, temos poucos representantes parlamentares que decidem de acordo com os princípios éticos morais, ou mesmo preocupado se suas decisões são ou não virtuosas. A eles devemos reconhecimento. Aos outros, esquecimento, pois a história os condenará.

Lembremos ainda que mesmo quem votou contra o projeto pode estar votando errado. Uma das explicações que chegou até nós foi a de que determinado deputado votaria contra porque tinha “medo de não ser reeleito”. Este é um motivo pífio para sua decisão. Gostaria de ouvir o nobre deputado mencionar que votou por ser a coisa certa a fazer, ou que seguira sua consciência.

Para finalizar, não podemos deixar de aplaudir os seguintes deputados estaduais, que votaram contra as medidas do governo de austeridade e neoliberal de Beto Richa:

Adelino Ribeiro (PSL)
Ademir Bier (PMDB)
Anibelli Neto (PMDB)
Chico Brasileiro (PSD)
Evandro Araújo (PSC)
Gilberto Ribeiro (PSB)
Márcio Pacheco (PPL)
Márcio Pauliki (PDT)
Nelson Luersen (PDT)
Nereu Moura (PMDB)
Ney Leprevost (PSD)
Paranhos (PSC)
Pastor Edson Praczyk (PRB)
Péricles de Mello (PT)
Professor Lemos (PT)
Rasca Rodrigues (PV)
Requião Filho (PMDB)
Tadeu Veneri (PT)
Tercílio Turini (PPS)



A todos os acima mencionados, o agradecimento dos professores paranaenses.
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