quarta-feira, 6 de maio de 2015

As lições de 29 de abril

“Certamente, o sofrimento faz parte da vida, por ser mecanismo da Natureza, através do qual o progresso intelecto-moral se expressa e consolida. O diamante bruto aguarda a lapidação para fulgir como estrela luminosa. Os metais necessitam da alta temperatura, a fim de amoldarem-se à beleza e à utilidade. A madeira experimenta os instrumentos cortantes para desempenhar os papéis relevantes a que está destinada. O rio cava o próprio leito por onde percorre.” (Divaldo Pereira Franco, Plenitude)
Que lições podemos tirar do fatídico dia 29.04.2015, na cidade de Curitiba? Que nós, professores e servidores do Estado, ao invés de termos guardarmos o rancor e o ódio contra os responsáveis por tudo aquilo, devemos tirar o proveito exitoso do evento. Se não conseguimos a rejeição do projeto de lei, muito menos sua retirada, tiramos daí uma extraordinária força de superação e demonstração de coragem e honradez.
O mundo inteiro condenou o governo paranaense. Quem mais saiu perdendo foi o próprio governador e seus assessores. Alguém duvida disto? Mesmo que tirem a poupança da previdência e ainda que descontem os dias parados, somente os servidores poderão permitir que sua dignidade lhes seja retirada. Eu não permitirei isto. Minha dignidade e meu orgulho de ser professor permanecem inalterados, ou melhor, cada vez mais alicerçados, pois não fiz nada de errado em Curitiba. Ser vítima não é errado.
O único remorso que tenho é de ter, por inúmeras vezes, ter desejado o mal aos responsáveis pelo massacre, pois dei abrigo em meu coração, ao ódio e ao rancor, que não me fez bem. Quando a poeira baixou e a reflexão preponderou, lembrei-me dos ensinamentos cristãos, da necessidade do perdão e da misericórdia, pois é muito fácil perdoar quem a gente ama, mas não aqueles que são nossos adversários.
É preciso que saiamos de cabeça erguida, pois não fomos nós que erramos, e o governador e seus aliados deverão prestar contas de seus atos ao Universo, e eu não gostaria de estar em sua pele quando este dia chegar.
Ademais, como já dizia Nietzsche, “o que não me mata, me fortalece”. E saio muito mais forte deste episódio. Mais consciente da minha necessidade de fazer de meus alunos mais politizados, sem que necessariamente concordem com minha opinião, mas que tentem me convencer do contrário de minhas convicções.
E só de sacanagem, vou continuar sendo professor. Mas um professor melhor. Só de sacanagem. E não deixarei em minhas aulas, de lembrar o que ele fez, como exemplo do que não é a justiça, o estado democrático de direito, a democracia e os direitos fundamentais.
Certamente o episódio me servirá para me lapidar como ser humano. Para valorizar aquilo que sempre defendi. E assim como a parreira necessita de uma poda de vez em quando para dar melhores frutos, ou como a pedra bruta que precisa das marteladas do grande Artista para se tornar sua obra prima, vou parar de reclamar e aceitar o que aconteceu como a poda ou a martelada para uma mudança em minha vida. Eis que aqui nasce um novo homem.