domingo, 21 de fevereiro de 2016

A Paz Reside Em Não Julgar



Pense no que vai dizer antes de abrir a boca. Seja breve e preciso, já que cada vez que deixa sair uma palavra, deixa sair uma parte da sua energia.


Assim, aprenderá a desenvolver a arte de falar sem perder energia.


Nunca faça promessas que não possa cumprir. Não se queixe, nem utilize palavras que projetem imagens negativas, porque se reproduzirá ao seu redor tudo o que tenha fabricado com as suas palavras carregadas de energia.


Se não tem nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor não dizer nada.
Aprenda a ser como um espelho: observe e reflita a energia.


O Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu, porque aceita, sem condições, os nossos pensamentos, emoções, palavras e ações, e envia-nos o reflexo da nossa própria energia através das diferentes circunstâncias que se apresentam nas nossas vidas.


Se identifica-se com o êxito, terá êxito. Se identifica-se com o fracasso, terá fracasso.
Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo da nossa conversa interna. Aprenda a ser como o universo, escutando e refletindo a energia sem emoções densas e sem preconceitos.
Porque, sendo como um espelho, com o poder mental tranqüilo e em silêncio, sem lhe dar oportunidade de se impor com as suas opiniões pessoais, e evitando reações emocionais excessivas, tem oportunidade de uma comunicação sincera e fluida.


Não se dê demasiada importância e seja humilde. Pois quanto mais se mostra superior, inteligente e prepotente, mais se torna prisioneiro da sua própria imagem e vive num mundo de tensão e ilusões.


Seja discreto, preserve a sua vida íntima. Desta forma libertar-se-á da opinião dos outros e terá uma vida tranquila e benevolente, invisível, misteriosa, indefinível, insondável como um grande sábio. 


Não entre em competição com os demais, a terra que nos nutre dá-nos o necessário. 

Ajude o próximo a perceber as suas próprias virtudes e qualidades, a brilhar. O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente, crie conflitos.


Tenha confiança em si mesmo. Preserve a sua paz interior, evitando entrar na provação e nas trapaças dos outros.


Não se comprometa facilmente, agindo de maneira precipitada, sem ter consciência profunda da situação.


Tenha um momento de silêncio interno para considerar tudo que se apresenta e só então tome uma decisão.


Assim desenvolverá a confiança em si mesmo e a Sabedoria. Se realmente há algo que não sabe, ou para que não tenha resposta, aceite o fato.


Não saber é muito incômodo para o ego, porque ele gosta de saber tudo, ter sempre razão e dar a sua opinião muito pessoal. Mas, na realidade, o ego nada sabe, simplesmente faz acreditar que sabe.


Evite julgar ou criticar. O verdadeiro sábio é imparcial nos seus juízos: não critica ninguém, tem uma compaixão infinita e não conhece a dualidade.


Cada vez que julga alguém, a única coisa que faz é expressar a sua opinião pessoal, e isso é uma perda de energia, é puro ruído. Julgar é uma maneira de esconder as nossas próprias fraquezas.


O sábio tolera tudo sem dizer uma palavra. Tudo o que o incomoda nos outros é uma projeção do que não venceu em si mesmo.


Deixe que cada um resolva os seus problemas e concentre a sua energia na sua própria vida. Ocupe-se de si mesmo, não se defenda.


Quando tenta defender-se, está a dar demasiada importância às palavras dos outros, a dar mais força à agressão deles.


Se aceita não se defender, mostra que as opiniões dos demais não o afetam, que são simplesmente opiniões, e que não necessita de os convencer para ser feliz.


O seu silêncio interno torna-o impassível. Faça uso regular do silêncio para educar o seu ego, que tem o mau costume de falar o tempo todo. Pratique a arte de não falar.


Tome algumas horas para se abster de falar. Este é um exercício excelente para conhecer e aprender o universo do saber ilimitado, em vez de tentar explicar o que é esse saber.


Progressivamente desenvolverá a arte de falar sem falar, e a sua verdadeira natureza interna substituirá a sua personalidade artificial, deixando aparecer a luz do seu coração e o poder da sabedoria do silêncio.


Graças a essa força, atrairá para si tudo o que necessita para a sua própria realização e completa libertação.


Porém, tem que ter cuidado para que o ego não se infiltre.


O Poder permanece quando o ego se mantém tranqüilo e em silêncio. Se o ego se impõe e abusa desse Poder, este converter-se-á num veneno, que o envenenará rapidamente.


Fique em silêncio, cultive o seu próprio poder interno. Respeite a vida de tudo o que existe no mundo.

Não force, manipule ou controle o próximo. Converta-se no seu próprio Mestre e deixe os demais serem o que têm a capacidade de ser.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

(Re)Pensando a Função Social da Universidade Púbica: uma alternativa de administração pública vinculando ensino, pesquisa, extensão e organização


Por Celito De Bona

A discussão sobre a função social da universidade pública deve ser constante e nunca deve cessar, sempre em vista de seu aperfeiçoamento. Desta forma, apresentamos para discussão uma proposta que tanto serve para a universidade pública como para algumas cidades: a gestão pública municipal pelas universidades. Este texto não é um artigo científico, mas apenas a apresentação de uma ideia. O artigo científico está sendo preparado e deverá ser publicado em breve, quiçá com o acatamento de eventuais ideias e críticas a partir desta breve exposição

A proposta consiste numa parceria entre universidade e município, legitimada democraticamente. A ideia parte do pressuposto de que:

1) As universidades possuem em seu corpo docente profissionais qualificados com mestrado, doutorado e, muitas vezes, pós-doutorado. Tais profissionais devem muito de sua qualificação a programas governamentais de incentivo à sua própria qualificação. Nada mais justo do que sua formação ser voltada, obrigatoriamente, à função pública, a bem do interesse público e diante da meritocracia adquirida.

2) Muitas cidades carecem de profissionais capacitados para a atuação pública e seus quadros são preenchidos por cargos de confiança com o despreparo que já é de conhecimento amplo e notório.

3) Vivemos num estado democrático de direito, cujas escolhas políticas são legitimadas democraticamente. Assim, seria plenamente possível que num pleito eleitoral municipal, algum candidato a prefeito dispusesse como forma de gestão a parceria entre o município e alguma universidade pública que assim se comprometesse em seus respectivos conselhos universitários. A legitimação para a atuação e forma de gestão municipal seria, portanto, decorrente do pleito eleitoral municipal vitorioso.

De observar que os docentes e funcionários, que já recebem por seus salários enquanto docentes e agentes estatais ou federais, aplicariam na prática aquilo que ensinam a seus alunos, dividindo suas funções. Nada impede que no exercício destas funções fossem designadas bolsas de auxílio aos professores e agentes universitários no exercício da função, nos moldes como ocorre hoje, como estímulo à adoção do projeto. Imagine-se, então, um professor de Ciências Contábeis ou Economia à frente da Secretaria de Finanças, um professor de Medicina, Odontologia, ou outra área da Saúde à frente da secretaria de saúde, um professor de Direito à frente da procuradoria jurídica do município e por aí vai.

A par disso, seria uma excelente forma de estágio aos alunos de graduação e pós-graduação, que também receberiam bolsas de estudo e seriam monitorados por profissionais em suas respectivas áreas de atuação, não sendo o estágio uma forma mascarada de mão de obra barata, como muitas vezes ocorre hoje.

Em tese, a gestão municipal em parceria com a universidade pública é um grande laboratório social e nada se tem de ilegalidade. Mantém-se o Poder Legislativo, onde todas as leis são aprovadas ou reprovadas, além da fiscalização pública, como já ocorre via Tribunal de Contas.

Justamente por ser uma nova forma de administração pública, prevê-se uma alteração local do jeito como se faz política. Não se tem aqui uma troca de favores. Nenhum secretário é nomeado por partido político ou interesses pessoais, mas pelo conhecimento e capacidade técnica que é dotado, com o aval de seu colegiado ou departamento (no âmbito da universidade). A fiscalização é, certamente, maior.

Os resultados desta nova forma de gestão pública e ensino são publicados em revistas científicas e podem servir de inspiração para a tomada de decisões políticas semelhantes.

Obviamente que a implantação desse sistema deve ser em pequenas cidades e de acordo com a capacidade estrutural da universidade pública. Assim, será que nossa universidade, a UNIOESTE, não teria condições de formar uma parceria destas com um município pequeno como Quatro Pontes, Maripá, Mercedes ou Pato Bragado, na região Oeste do Paraná? O que faltaria para que isso se concretizasse?

E então, vamos amadurecer a ideia? E você, qual a sua opinião sobre o tema? Deixe seu comentário, crítica ou sugestão.