sábado, 29 de outubro de 2016

As infelizes críticas à jovem Ana Júlia

Que decepção ao ver compartilhamentos de críticas à jovem Ana Júlia, pelo simples fato de seu pai ser petista. Então o posicionamento político de seu pai (ou mãe) faz com que seu discurso na ALEP  (Assembleia Legislativa do Estado do Paraná), no dia 26 de outubro de 2016, não seja válido e legítimo? Isto a faz ter sido doutrinada? Não existe doutrinação. O que existe é a incapacidade de reconhecer no outro a possibilidade de fazer escolhas. E dizer que no mundo de hoje não existem escolhas a serem feitas, é desprezar a própria internet. É não reconhecer em nossos jovens a tomada de um posicionamento político e ideológico que não seja igual ao nosso, e isso se chama opressão (ou sua tentativa de). 

Sua leitura de mundo não é igual a nossa, que geralmente nos colocamos num pedestal acadêmico ou empírico. Mas sua leitura de mundo, ainda em construção, como a de todos nós, deve ser ouvida e considerada, ainda que rejeitada. Não, não há doutrinação. Doutrinação se encontra no repassar uma crítica sem sua reflexão "humanizada". Aos 16 anos, Ana Júlia, a estudante, nos ensinou muito, na qualidade de mestre, pois o verdadeiro mestre é quem sempre está a procura de conhecimento. 

Rotulá-la de "filha de petista" (como se isso fosse ruim ou bom) é desconsiderar uma pessoa que busca trilhar seu próprio caminho, é desconsiderar alguém que quer encontrar um sentido e um significado próprio para sua vida, para sua existência, é desconsiderar todo o conteúdo de seu discurso. Enaltecida em vários órgãos de imprensa do mundo pelo seu conteúdo, é no Brasil que encontra resistência. Se criticamos a falta de líderes em nosso país, é porque quando alguém ousa surgir, em vez de incentivarmos, logo tentamos sufocá-lo(a). 

E é por isso que digo: bem vinda à realidade, eis que quando não conseguirem responder aos seus argumentos, te atacarão. E te lanço um convite/desafio: não desanime, persista. Seja aquilo que nós, professores universitários, deveríamos fazer: não apenas formadores de mão de obra ao mercado, mas capacitadores de agentes de transformação social, buscando transformar a nossa realidade social, numa sociedade mais justa, livre, igualitária, solidária, promovendo o bem estar e dignidade de todos.
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